quinta-feira, 21 de junho de 2012

Contradições



A contradição desta autora me fascina:


"Submeto-me à vida e então descubro belas explicações para meu ato.

 (...)

A vivência excessiva desgasta a imaginação."

Henry & June de Anaïs Nin.

terça-feira, 15 de maio de 2012


"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

"Ser gente me cansa. Eu tenho raiva de sentir tanto amor. Há dias que vivo de raiva de viver. (...) Vou dormir porque não estou suportando este mundo hoje. Cheio de coisas inúteis. Só uma raiva, no entanto, é bendita: a dos que precisam."

 Beth Goulart na peça: Simplesmente eu, Clarice Lispector.

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Minha "drama queen" favorita


(Fabiana Carvalho)

About some books


"The books that the world calls immoral are the books that show 
the world its own shame". Oscar Wilde

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ah, Regina!



Regina Specktor lançará álbum, previsto para 29 de maio.
No "What We Saw From The Cheap Seats" há músicas que foram escritas há mais de dez anos.


Já estou me deliciando com uma música nova:
Patron Saint. E, claro, a espera do CD. Que coisa antiga, né?! Mas quero o CD!

(Fabiana Carvalho)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Normal!




E a vida, afinal, é meio assim: normal, normal, normal... e, de repente, acontece algo maravilhoso (ou ruim!). Desconfio destas “pessoas eternamente felizes” que se alastram por aí. Então, me pergunto: “o que me vale mais, a felicidade barata ou o sofrimento elevado?”.


(Aline Espíndola)

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Retrato de Dorian Gray



“Somos punidos pelo que negamos. Cada impulso que tentamos sufocar persevera em nosso íntimo e nos intoxica.”

“Adoro os prazeres mais simples – disse Lorde Henry – São os últimos refúgios dos seres complexos.”

“Este vive o poema que não consegue escrever, os outros escrevem o poema que não ousam realizar.”

 “Eu nunca falo durante a música, ao menos durante a boa música. Se se ouve má música, é dever abafá-la com o rumor da conversa.”

“As mulheres ordinárias não despertam nossas imaginações. São limitadas à sua época. Nenhuma magia as transfigura. Conhecemos os seus corações como os seus chapéus. Adivinha-se tudo nelas, em nenhuma delas há mistério. Passam as manhãs no parque e tagarelam nos chás, à tarde. Trazem os seus sorrisos estereotipados e regulam as suas maneiras pela moda.”

O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

(Fabiana Carvalho)

quarta-feira, 21 de março de 2012


"É no prazer do desespero que acontecem os prazeres mais intensos, especialmente quando você já percebe muito fortemente que a sua situação não tem saída." 

Notas do subsolo - Dostoiévski


(Fabiana Carvalho)

sexta-feira, 9 de março de 2012

A vida das musas


Lee Miller toma banho em banheira na casa de Adolf Hitler, em Munique.
(David E. Scherman/Time Life Pictures/Getty Images)


Aproveitando a lembrança do Dia das Mulheres, comemorado ontem, 8 de março, resolvi destacar aqui, o livro “Vida das Musas” que conta, em pequenas biografias, sobre a vida de nove mulheres (Hester Thrale, Alice Lidell, Elizabeth Siddal, Lou Andréa-Salomé, Gala Dalí, Lee Miller, Charis Weston, Suzanne Farrell e Yoko Ono ) que inspiraram grandes artistas da época.

O livro questiona o que leva uma mulher à condição de musa inspiradora de gênios como Lewis Carrol, John Lennon, Sigmund Freud, Nietzsche, Rainer Maria Rilke, Man Ray, Salvador Dalí? A autora Francine Prose investiga as histórias destas mulheres, para responder à questão e elaborar um conceito de "musacidade". Todas têm em comum relações afetivas intensas, apaixonadas, explosivas.

Cada história mais fascinante e instigante do que a outra. Uma delas, a da americana Lee Miller (1907-1977), uma mulher irrequieta, por exemplo, encheu-me de encantamento e admiração. Nos anos 20, ela foi uma das primeiras modelos a aceitar fazer campanhas publicitárias de lingerie e, de maneira ainda mais ousada, de absorventes femininos.

Lee não se contentou em posar. Interessou-se pela prática da fotografia a tal ponto que, em 1929, viajou a Paris com o objetivo de conhecer e trabalhar com o fotógrafo Man Ray – um dos mais importantes artistas do surrealismo. Ela, literalmente, bateu à porta de Ray e se ofereceu como assistente. Conseguiu o emprego, virou pupila, modelo e amante do fotógrafo.

Nos anos 30, Lee passou algum tempo longe da fotografia, depois de se casar - não com Ray - e se mudar para o Egito. No começo dos anos 40, ela retomou seu contato com a Vogue e acabou por cobrir a 2ª Guerra para a edição inglesa da revista. Depois do fim da guerra Lee voltou à moda, tema sobre o qual publicou dezenas de reportagens e editoriais.

Uma das fotos icônicas da vida de Lee Miller a tem como modelo. A imagem foi feita no final da 2ª Guerra, pelo fotógrafo David Scherman, da Life. Trata-se de um dos banhos mais memoráveis da história: Lee Miller na banheira de Adolfo Hitler, na casa do ditador em Munique.

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Pensamentos


"Sabe, um dos grandes problemas da nossa época é que somos governados por pessoas que se importam mais com os sentimentos do que com pensamentos e ideias.

Pensamentos e ideias. Isso me interessa.

Pergunte-me o que eu estou pensando.

O que você está pensando, Margaret?

Cuidado com seus pensamentos, pois eles se tornam palavras.

Cuidado com suas palavras, pois elas se tornam ações.

Cuidado com suas ações, pois elas se tornam hábitos.

Cuidado com seus hábitos, pois eles se tornam o seu caráter.

E cuidado com seu caráter, pois ele se torna o seu destino.

O que nós pensamos, nós nos tornamos. Meu pai sempre dizia isso."


Margaret Thatcher em "A Dama de Ferro".

(Fabiana Carvalho)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Delta de Vênus


Ainda “no clima” da leitura do livro anterior, engatei em “Delta de Vênus”, da mesma autora, e que, na minha opinião, seguem linhas bem diferentes. A começar pelo primeiro capítulo, que trata de incesto, seguido de capítulos não menos chocantes, tratando de tabus, sem o menor pudor (lembrando que o livro foi escrito na década de 40) como: pedofilia, prostituição, voyerismo, orgia, sadismo, virgindade, hermafroditismo e por aí vai.

Uma leitura pesada, mas cheia de magia.
A própria Anais, assim se descreve: “Eu era a cafetina de uma presunçosa casa de prostituição literária, de onde a vulgaridade estava excluída.” A parte que mais gostei foi da introdução que faz uma análise do sexo e de como ele pode ser explorado em todos os seus aspectos, tudo isso em uma carta, cheia de raiva, que Anais Nin envia ao “encomendador” de seus contos que queria “sexo sem poesia”:

“O sexo perde todo o seu poder e sua magia quando se torna explícito, mecânico, exagerado, quando se torna uma obsessão mecanizada. Fica enfadonho. Você nos ensinou mais do que qualquer outra pessoa que eu conheça como é errado não misturar sexo com emoção, fome, desejo, luxúria, caprichos, laços pessoais, relações mais profundas que modificam sua cor, seu gosto, seu ritmo e sua intensidade. Você não sabe o que está perdendo com seu exame microscópico da atividade sexual a ponto de excluir aspectos que são o combustível que lhe ateiam fogo. Intelectual, imaginativo, romântico, emocional.”

“(...) O sexo não floresce na monotonia. Sem sentimento, invenções, variações de humor, nada de surpresas na cama. O sexo deve ser misturado com lágrimas, risadas, palavras, promessas, cenas, ciúme, inveja, todos os condimentos do medo, viagens ao exterior, novos rostos, romances, histórias, sonhos, fantasias, música, dança, ópio, vinho (...)”

“Quanta amplitude, quantas mudanças de idade, quantas variações de maturidade e inocência, perversidade e arte.”

"Somente o pulsar unido do sexo e do coração pode criar o êxtase.”

Sem mais.

(Fabiana Carvalho)



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anaïs Nin




Anaïs Nin foi uma escritora francesa que polemizou sua época ao escrever suas obras permeadas de erotismo e ao abordar tabus em torno da sexualidade feminina. Ela nasceu na França em 1903, viveu durante anos em Nova York, retornando à Europa na década de 30. Foi discípula das descobertas psicanalíticas, e precursora do feminismo e da revolução sexual.

“Eu escolho um homem
que não duvide de minha coragem
que não me acredite inocente
que tenha a coragem
de me tratar como uma mulher.”


“Subtraia a superintensidade, o chiado das idéias, e você tem uma mulher que ama a perfeição.”


“Estou tão sedenta do maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que não pode se transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir.”

“Me nego a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária. A estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Me adapto a mim mesma.”

Anaïs Nin



Ainda não li os outros livros desta escritora surpreendentemente à frente de seu tempo, mas indico o que acabo de ler: “Uma espiã na casa do amor”. Sabina é a protagonista deste romance, uma mulher dividida entre os arroubos da realização artística, as suas fantasias sexuais, e as restrições e exigências sociais.

Ao mesmo tempo em que faz descobertas de ordem sexual e sentimental, ela experimenta até que ponto é possível libertar-se sem ter que enfrentar sérias conseqüências.


Trechos do livro:
“Mas então ela sempre preferira a noite ao dia. O luar caía diretamente sobre sua cama no verão. Ela ficava deitada nua ao luar, durante horas, antes de cair no sono, perguntando-se o que seus raios iriam fazer-lhe à pele, ao cabelo, aos olhos e, depois, mais profundamente, aos sentimentos.
(...)
Isso acentuava-lhe o amor ao mistério. Ela meditava sobre este planeta, que mantinha metade de si no escuro. Sentia-se ligada a ele porque era o planeta dos amantes. A atração que sentia por ele, o desejo de banhar-se em seus raios explicavam sua repulsa a ter um lar, marido e filhos. Começou a imaginar que conhecia a vida que tinha lugar na lua. Sem lar, sem filhos, com amantes livres, nem mesmo ligados um ao outro.”


“As carícias da noite anterior haviam sido intensamente maravilhosas, como todas as chamas multicolores de um engenhoso fogo de artifício, irrupções de sóis e néons explodindo no interior do corpo, velozes cometas dirigidos a todos os centros de prazer, estrelas cadentes de profundas alegrias..."

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Como não se apaixonar?


Como não se interessar pela história de uma mulher que seduziu homens contemporâneos como Rilke, Nietzsche, Paul Rée, Tausk... Não deixando nem Freud de fora, que não escapou de seus encantos apelidando sua discípula de “raio de sol”.

Lou Andreas-Salomé foi uma mulher irreverente e fascinante que viveu entre 1861 e 1937 com uma intensidade infinita. A própria vida de Lou daria um romance. Autora de vários ensaios, poesias e peças de teatro, tinha uma enorme capacidade intelectual que a levou a ousar ser diferente numa época em que muito pouco era permitido às mulheres.

“O sol se levantava quando Lou entrava numa sala" disse a escritora Helena Klinkberg. Era um ser luminoso, transparente e lúcido, um ser humano para quem a felicidade é condição natural e destino do homem: "dentro da felicidade eu estou em casa", afirmou Lou. E ainda: "A única perfeição é a alegria". Essa paixão pela vida, ela a transmitia aos outros, fazendo com que as pessoas ao seu contato desenvolvessem e dessem o melhor delas próprias.

Triângulos amorosos, um casamento de fachada e uma imaginação ilimitada levaram esta mulher a viver fora do seu tempo e a não rejeitar nenhum aspecto de sua apaixonada vida. Copiou dos homens o modo de vida, mas não foi uma mulher masculina. Exigiu a liberdade de mudar, evoluir, crescer. Afirmou sua integridade contra o sentimentalismo e as definições hipócritas da fidelidade e do dever. Ela é excepcional na história de sua época. Não foi uma feminista, de modo algum, mas lutou contra o seu lado feminino para manter a integridade como indivíduo.

Uma mulher que viveu fora do seu tempo e que não rejeitou nenhum aspecto da sua apaixonada vida.

“Ouse, ouse... ouse tudo! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!”

"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe."

Lou Andreas Salomé

“Tapa-me os olhos: ainda posso ver-te
Tapa-me os ouvidos: ainda posso ouvir-te
E mesmo sem pés posso ir para ti
E mesmo sem boca posso invocar-te.
Arranca-me os braços: ainda posso apertar-te
Com meu coração como com a minha mão
Arranca-me o coração: e meu cérebro palpitará
e mesmo se me puseres fogo ao cérebro
Ainda ei de levar-te em meu sangue.”

Escreveu Rilke inspirado em Lou.

(Fabiana Carvalho)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

At last...



Perdemos hoje um grande nome do jazz, soul e blues: Etta James.


It hurts me so much

I just wanna make love to you


(Fabiana Carvalho)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre sexualidades sonoras...


Odeio micaretas!
Aliás, nem tenho idade.
E energia pra isso.
E outra coisa.
Aquela beijação.
É de péssimo gosto.
E há uma contradição curiosa.
Garotas de programa.
Permitem tudo.
Menos beijo na boca.
Algo que deveria.
Ser considerado muito íntimo.
a moçada classe média.
Embarca fundo.
Naquela beijação olímpica.
Sem nenhum afeto.
Por isso, digo.
A sexualidade do Rock and Roll.
É muito mais madura!
Foco e intensividade a dois!

(Blog: http://observacaoligeira.blogspot.com/)


domingo, 15 de janeiro de 2012

A vida e o sorvete

"A vida é como um sorvete de casquinha,
você precisa aprender a equilibrá-la."
Charlie Brown / Snoopy

Foto da Mariana, filha fofa da minha amiga e afilhada Luciane Soares.

(Fabiana Carvalho)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Perto do coração selvagem


"Não ter nascido bicho parece ser uma de minhas secretas nostalgias." CL

(Fabiana Carvalho)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Só hoje


"Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada."
Clarice Lispector

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Além disto e daquilo...



”Nem todo tipo de beleza inspira o amor; existe um tipo que só agrada à vista, mas não cativa as emoções.”
Miguel de Cervantes

(Fabiana Carvalho)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz 2012!


Qualquer tempo é tempo.

A hora mesma da morte

é hora de nascer.

Nenhum tempo é tempo

bastante para a ciência

de ver, rever.

Tempo, contratempo

anulam-se, mas o sonho

resta, de viver.


Carlos Drummond de Andrade


(Aline Espíndola)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Tesouros escondidos


Resolvi postar aqui as músicas que estarão no disco póstumo da Amy Winehouse, “Lioness: hidden treasures”, previsto para ser lançado este mês lá fora, ainda sem previsão para lançamento no Brasil. Espero que chegue logo por aqui!

A Versão da música "Garota de Ipanema" está tão linda! Adorei a "Like Smoke" também. A música "best friend" tem uma letra bem interessante.

Our Day Will Come

Between the Cheats


Wake Up Alone

Tears Dry


Will You Still Love Tomorrow


Valerie


Like Smoke com Nas


The Girl From Ipanema

Halftime


Best Friends


Body & Soul com Tony Bennett

A Song for You


(Fabiana Carvalho)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sobre padrões

Nas redes sociais, onde tudo se propaga rapidamente, está se propagando rapidamente. E é em todo lugar. E tem até o culto, o das Princesas. E nele aprendemos “muito”, sobre atitudes. Mais parecem um daqueles livros de autoajuda, daqueles que nos ensinam a fazer milhões de coisas que não temos condição de sustentar. E será que devemos? Em qual varal devemos pendurar nossos desejos?

Em pleno Século XXI, uma campanha que visa transformar e implantar uma nova cultura feminina e sobre relacionamentos. A cultura do machismo e do recalque, da insegurança dos gêneros.

Não que eu defenda posturas femininas que mais parecem um ataque aos padrões de comportamento masculinos tão fortemente estabelecidos. Mas a verdade é que entre príncipes e princesas, cachorros e cachorras, há mil outras possibilidades.... e bem mais interessantes.

"Não quero que a vida se ponha a ter outras vontades que não as minhas"

Simone de Beauvoir

(Aline Espíndola)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

De ressaca


"Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.
(...)
Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente.

Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.
(...)
De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.

Estivemos no inferno e voltamos, inteiros."

Luís Fernando Veríssimo em A mesa Voadora

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sorriso


"[…] Era um desses sorrisos raros que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a gente talvez depare quatro ou cinco vezes na vida. Um sorriso que, por um momento, encarava - ou parecia encarar - todo o mundo eterno, e que depois se concentrava na gente com irresistível expressão de parcialidade a nosso favor. Um sorriso que compreendia a gente até o ponto em que a gente queria ser compreendido, que acreditava na gente como a gente gostaria de acreditar, assegurando-nos que tinha exatamente a impressão que a gente, na melhor das hipóteses, esperava causar."

O Grande Gatsby de Scott Fitzgerald

(Fabiana Carvalho)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Amar é renunciar à força

Sabina continuava com suas reflexões melancólicas. E se ela tivesse um homem que lhe desse ordens? Que a dominasse? Quanto o suportaria? Nem cinco minutos! Donde concluiu que nenhum homem lhe convinha. Nem forte, nem fraco. Disse: "E por que você não usa sua força contra mim de vez em quando?". "Porque amar é renunciar à força", respondeu Franz docemente.

Milan Kundera em A insustentável leveza do ser

(Fabiana Carvalho)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

It's time!


Seu tempo é limitado, então não percam tempo vivendo a vida de outro. Não sejam aprisionados pelo dogma – que é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixe o barulho da opinião dos outros abafar sua voz interior. E mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Steve Jobs

(Fabiana Carvalho)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tête-a-Tête




Resolvi escrever hoje, sobre o livro mais apaixonante que li nos últimos tempos: “Téte-a-Tete”, de Hazel Rowley, que conta a história do casal Sartre e Beauvoir. Talvez não a mais romântica, não a mais sonhada, mas com certeza, uma grande história. “Exatamente o que Sartre e Beauvoir sempre quiseram que suas vidas fossem: uma grande história".

Associados com liberdade, deram as costas para sutilezas burguesas com brilhantismo, audácia e coragem. Muitas mulheres se apaixonarão por Beauvoir, eu, particularmente, me apaixonei por Sartre e toda a trajetória do casal. Temas como paixão, liberdade, jazz, filosofia, França, Nova York... Norteiam o livro. Grifei alguns trechos e, mesmo deixando este post longo, faço questão de registrá-los aqui, pois, para mim, são trechos que exigem reflexões, dignos de serem relidos por toda vida.

“O negócio é que preciso da violência de discussões ou da emoção das reconciliações para me sentir vivo. Ontem à noite, tivemos uma discussão terrível, mas valeu o esforço.”

“Sartre via o amor como uma batalha em que dois sujeitos livres tentam se apoderar cada um da liberdade do outro, tentando ao mesmo tempo se libertar do outro”.

“Era estranho ser amada e admirada por todas essas jovens, mas que, no fundo, sabia que não era a ela que elas amavam. O que desejavam era o reflexo que viam nela do próprio futuro. Estavam apaixonadas por sua liberdade”.

“Ela e Sartre não tiveram noites ardentes. Talvez a força da nossa relação física esteja diminuindo ligeiramente, mas acho que está ficando mais substancial”.

“Estava intimidado com sua capacidade intelectual; parecia que ela era capaz de falar analiticamente sobre a coisa mais insignificante”.

“Nunca a amei. Acho-a fisicamente agradável embora vulgar, todavia tenho um certo sadismo que foi atraído por sua vulgaridade”. Disse Sartre sobre uma de suas amantes, Wanda.

“Se tornar a encontrá-la, torno a encontrar minha felicidade e a mim mesmo”.

“Suas armas seriam palavras”.

“A relação de Sartre e Beauvoir terminara. Beauvoir tentava racionalizar: Existe o consenso de que, no homem, o hábito mata o desejo”.

“O inferno são os outros”. Sartre.

“A sociedade ainda não está pronta para a mulher livre. Ela vê que sua inteligência e independência intimidam o homem.”

“Via que o mau humor dele era defensiva. Gostava de pensar que era a única pessoa que o compreendia”

“Eu procurava Nova York e não conseguia encontrar”. As longas ruas retas pareciam todas iguais. “Nova York é para quem enxerga longe”, decidiu Sartre, quem pode focar no infinito”.

“Ele dizia as coisas mais extremas com a maior naturalidade. Seu humor falsamente simples animava muito as sessões”.

“A espontaneidade de Lanzmann me era estranha. No entanto, era pelos excessos que ele parecia próximo a mim”.

“Não, não era que ele amasse outra pessoa, mas algo morrera. Estava cansado de suas aparições só para tornar a partir”.

“Optando por escrever, Genet transformara aquilo em que os outros o haviam transformado em algo positivo. Era uma obsessão sartreana: a idéia da autoinvenção em face da humilhação e da estigmatização".

“Como o amor está proibido, decidi dar meu coração sujo a algo tão sacana quanto um homem: e me dei um belo carro preto”.

(Fabiana Carvalho)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O machismo feminino que, ainda, impera!


Esta é a bola da vez: Governo pede suspensão de comercial de lingerie com Gisele Bündchen. E são tantos os comentários. Em sua maioria maldosos e irracionais, e não há, de modo geral, a reflexão sobre uma questão maior: o papel da mulher na sociedade e na vida privada.

Durante anos e anos, ficamos à margem de uma sociedade machista que teima em nos deixar por lá. Conquistamos independência, financeira e sexual. E não necessitamos utilizar o sexo como moeda de troca, e sim para o nosso bel-prazer. Pagamos as nossas contas, bancamos as nossas dívidas.

Aline Espíndola

terça-feira, 12 de julho de 2011

450 anos da Catedral de São Basílio

Achei bem legal a página do google de hoje (12/07), que preparou um doodle (aquela logomarca comemorativa diária) em homenagem ao aniversário de 450 anos da Catedral de São Basílio. Sempre achei esta catedral meio parecida com castelo da Disney, meio parecida com alguma obra Gaudí, e no fundo, nem uma coisa nem outra, mas algo bem diferente e bonito. E confesso minha ignorância, pois não sabia que era uma catedral, achava que era algum monumento do governo da Rússia.

Pela saudade que estou da minha mãe, e pela felicidade que estou por ela estar, neste momento, viajando e visitando justamente o monumento homenageado de hoje, resolvi escrever sobre o assunto, e viajar um pouquinho com ela também, mesmo, estando com meus pés fincados em Brasília, rs.

A Catedral de São Basílio é um dos maiores atrativos turísticos da cidade de Moscou, capital da Rússia. Ela que até hoje se ergue majestosa na Praça Vermelha, foi construída por ordem de Ivã o Terrível, em homenagem à conquista russa de Kazan e Astracã. Segundo reza a lenda, o Czar Ivã gostou tanto do templo que mandou cegar o seu arquiteto, Postnik Yakovlev, para que ele não tivesse condições de construir uma obra parecida em outra cidade.

Será que a lenda procede? Lendas são sempre mágicas, e por vezes, terríveis... Sendo verdade ou não, não há como negar o encanto do monumento.

(Fabiana Carvalho)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Starry night


Gostei da crônica do Arnaldo Jabor sobre a genialidade de Van Gogh , inspirado no gancho da notícia sobre o autorretrato : O Museu Van Gogh de Amsterdã anunciou nesta quinta-feira, 21 de junho, que o famoso autorretrato de Vincent Van Gogh, não seria o rosto de Van Gogh, mas a representação de seu irmão, o pintor holandês, Theo. Disponibilizo o link da crônica a quem interessar.



"(...) Van Gogh nos revelou a mutação da vida, o passar do tempo. A tortura e o sofrimento de Van Gogh, são visíveis em cada árvore, nas igrejas que se derretem, nas estrelas gigantescas... Em Van Gogh tudo se move nada está parado como a vida. Não há dramas nos quadros, cadeiras, girassóis, corvos, só isso. O drama é do autor, e é visível na dor dos traços geniais. É isso, Cézanne descobriu o espaço, e Van Gogh pintou o tempo."

Arnaldo Jabor

P.S.: Escolhi a foto acima, "Starry night" (Noite estrelada), não para ilustrar a notícia em questão, mas a crônica do link.


(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Midnight in Paris


Acho que muitos de nós, em algum momento da vida, já tivemos a sensação de que nascemos na época errada não é mesmo? Este é o tema central do novo e apaixonante filme de um dos meus diretores prediletos, Woody Allen, em “Midnight in Paris” (Meia-Noite em Paris).

Ao assisti-lo, saí da sala de cinema ainda mais maravilhada com a “cidade luz” e com toda a inspiração que ela pode proporcionar. E é entre duas épocas diferentes - a atual e 1920 que o protagonista a considera como “anos de ouro” - e por visões completamente distintas da vida, que a trama transcorre de forma leve e reflexiva.

Allen traz como seu alterego da vez, Gil, brilhantemente interpretado por Owen Wilson, que protagoniza o amor por Paris, convincente graças à sua ingenuidade contagiante e a seu vasto conhecimento cultural. O que torna Gil ainda mais cativante é que, longe de ser um intelectualóide, é alguém que ama a arte pela arte, e não pelo status. Além disso, o protagonista ganha a simpatia do público por estar tentando entender suas próprias dúvidas e escolhas (o casamento, o amor, a nostalgia, o trabalho, o sonho, o passado e o futuro) e por disparar tiradas como: “Por que eu iria ler uma biografia do Rodin?”, pergunta que exprime a sua simpatia pela arte de forma autêntica. Como não poderia ser diferente, o “blábláblá” filosófico e questões existenciais são expostos de maneira divertida, fazendo parte dos diálogos típicos de Allen.

Um dos momentos mais emocionantes do filme é o transporte ao passado que faz com que Gil entre em contato com celebridades do mundo das artes e da literatura “dos anos de ouro” como: Matisse, Picasso, Zelda e Scott Fitzgerald, Dalí e Hemingway, entre outros. Essa mistura toda não poderia resultar em algo que não fosse bom. Woody Allen soube “bater no liquidificador” ingredientes que atraem os apaixonados por arte, literatura, viagem e fotografia... Nem da moda ele se esqueceu ao colocar na bela e sedutora personagem de Adriana (Marion Cotillard), uma estudante de moda, aluna de ninguém menos que Coco Channel, apaixonada pela “belle époque”.

Um filme pra lá de inspirador...

Trilha do filme - "Let's do it, let's fall in love" - Cole Porter

(Fabiana Carvalho)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"An Education"


Ontem assisti a um filme que gostei bastante, e adoro registrar minhas impressões aqui sobre aquilo que gosto. “An Education”, de direção dinamarquesa (Lone Scherfig), é um filme divertido, encantador, charmoso e que evita os julgamentos fáceis. O filme reflete sobre dois bancos de escola: o das instituições de ensino e o da vida. A jovem atriz Carey Mulligan, que interpreta Jenny, arrassa no seu papel, por sua sensibilidade, sede por conhecimento, descobertas e prazeres, sem perder a doçura que lhe é peculiar.

Jenny tinha pressa por conhecer o mundo. Fascinada pela cultura francesa e a “liberdade” simbolizada por Paris, Jenny pensava na universidade como um trampolim para que ela conseguisse a sua tão desejada autonomia. Até que ela encontrou um atalho chamado David (Peter Sarsgaard), um charmoso homem mais velho. O encontro dos dois marca a espinha dorsal do filme.

Quando Jenny finalmente começa a vivenciar os prazeres de quem tem uma certa quantidade de dinheiro no bolso e vive na Europa, é que o espectador começa a se perguntar, junto com ela, onde está realmente a base da educação. Em uma sala de aula, aprendendo parte dos conhecimentos científicos e culturais de uma sociedade até determinado momento, ou aprendendo com os prazeres e desilusões da vida mesmo?

Acho que ele trouxe, em seu final, uma sensação de que algo ficou a desejar, fiquei pensando e concluí que essa sensação talvez se deva ao fato de que não se tem muito “moral-da-história” prontinho como esperado, e talvez esteja aí seu encantamento, assim como acontece na vida real.

Além disso, “An Education” nos traz o sabor da realidade de Londres e de Paris no início dos anos 1960, e é um exemplo de como a vida pode ser maravilhosa ou trágica, dependendo da escolha que fazemos. Se não nos entregarmos à culpa e ao desespero podemos, como a protagonista deste filme, perdoar nossos erros (e os dos outros) e sair para a frente, sabendo que sempre existem novos caminhos a percorrer.

(Fabiana Carvalho)

P.S.: No final do filme, escutei a música de uma cantora que gosto muito... Duffy. Pra quem quer escutar: Smoke without fire

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Se pudesse...


À minha grande amiga e companheira de blog, Aline Espíndola, dedico este post , com palavras do poeta português, um de seus favoritos, que hoje completa 123 anos de vida às palavras.

Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.

(Fernando Pessoa)

(Fabiana Carvalho)

domingo, 12 de junho de 2011

É preciso...



É preciso estar distraído e não esperando nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. (Caio Fernando de Abreu)

(Fabiana Carvalho)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Otimista de carterinha


Sou uma otimista de carteirinha. Pode colocar aí no meu CPF: Caminho Para Felicidade. Eu sei que alguns vão torcer o nariz, outros não vão acreditar, mas eu ando em busca daquilo que acrescenta. As deficiências de todo o dia já são suficientes, não preciso dar minha dose de colaboração. Se for pra contribuir, que seja então para tirar o peso dos passos e dar leveza ao olhar. A inquietação faz parte, mas é a confiança que impulsiona. (Fonte: Blog da Fernanda Gaona)

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eles já sabiam!


Outro dia, para entender um pouco melhor este mundo louco de informações que vivemos, comecei a ler um livro recém lançado chamado “a revolução das mídias sociais”, do André Telles. Dentre outros pontos interessantes, o autor explica a função do hipertexto, sublinhados que dão acesso a outros textos na internet. O que me intrigou de fato foi a comparação feita pelo autor entre o hipertexto e um processo semelhante ao do nosso cérebro. “Plim!" me veio à cabeça a “premonição de McLuhan”.

Achei interessantíssima essa comparação técnica ao modus operandi humano. E lembrei o que diz McLuhan em “Os meios de comunicação como extensão do homem”, datado em 1969. Veja bem: 1969!!!

McLuhan fala sobre uma futura “aldeia global”, exatamente com essas palavras. E sobre a tal “aldeia global” ele explica que “seria uma decorrência das mutações provocadas pelos meios eletrônicos, como extensões do sistema físico e nervoso do ser humano capazes de condicionar reações e comportamentos.” Alguma semelhança com a comparação do sistema de textos na internet com as combinações do nosso cérebro?

Sério, toda essa mudança provocada pelas informações, seja por blogs, microblogs, redes sociais, me fascina e me assusta. E eu fico encantada com pessoas que tem visão sobre o assunto... e sobre o futuro...

“...no futuro, todos serão famosos por 15 minutos”.
Wahrol (1927-1987)

(Fabiana Carvalho)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Paz




"Tudo é uma questão de manter a mente quieta,
a espinha ereta, e o coração tranquilo."


Parte da trilha do filme brasileiro: "Houve uma Vez Dois Verões" (2002), de Jorge Furtado.




(Fabiana Carvalho)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mulheres de trinta!





quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dia do beijo

Para ilustrar o "dia do beijo" escolhi uma obra de Claire Streetart. Já escrevi sobre ela aqui, e como gosto muito, achei legal publicar outra arte da francesa. Bem inspirador!
(Fabiana Carvalho)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Crise dos 30?! Que nada!

http://mulhertrinta.blogspot.com/

(Fabiana Carvalho)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Simples assim


“Simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera”.
Martha Medeiros

Obra: Gustav Klimt


(Fabiana Carvalho)